A Federação de Tênis do Quênia se manifestou oficialmente nesta quinta-feira após a repercussão internacional envolvendo a participação da egípcia Hajar Abdelkader, de 21 anos, no ITF W35 de Nairóbi. O episódio ganhou grande destaque nas redes sociais depois de imagens da partida circularem amplamente, levantando questionamentos sobre os critérios para a concessão de convites em torneios profissionais.
Sem registros prévios de participação em competições profissionais ou no circuito juvenil da Federação Internacional de Tênis (ITF), Abdelkader recebeu um convite para a chave principal do torneio e acabou derrotada pela alemã Lorena Schaedel, número 1.026 do ranking, com parciais de 6/0 e 6/0 em apenas 37 minutos. Durante o confronto, a egípcia demonstrou dificuldades básicas, com erros recorrentes, inclusive na ordem do saque, somando 20 duplas faltas e vencendo apenas três pontos ao longo da partida.
Diante da repercussão, a entidade queniana divulgou um comunicado reconhecendo o impacto do episódio. “A Federação Queniana de Tênis está ciente das preocupações relativas à participação da tenista egípcia Hajar Abdelkader no torneio ITF W35 de Nairóbi, após a circulação de um vídeo nas redes sociais que levantou questionamentos sobre seu nível de jogo”, afirmou a federação. No mesmo texto, garantiu que medidas serão adotadas para evitar novas situações semelhantes: “A federação tomou nota desta experiência e garantirá que uma ocorrência tão rara jamais se repita”.
Segundo a Tennis Kenya, o convite foi concedido em circunstâncias específicas. “A Sra. Abdelkader recebeu um convite para a segunda semana do evento após apresentar uma solicitação formal depois de chegar na manhã de terça-feira. A vaga ficou disponível devido à desistência de última hora da tenista originalmente contemplada com o convite para a chave principal, que optou por disputar o qualifying”. A federação explicou ainda que, naquele momento, ela era a única jogadora que havia solicitado a vaga, e a decisão teve como objetivo manter a chave completa e incentivar o desenvolvimento do tênis no continente africano.
O comunicado detalha também os critérios adotados pela entidade local. “Ao conceder convites, a Tennis Kenya considera fatores como as prioridades de desenvolvimento dos jogadores, o equilíbrio competitivo da chave e as informações fornecidas pelos candidatos, com ênfase em jogadores quenianos, da África Oriental e demais africanos”. No caso específico, a federação afirmou que “a Sra. Abdelkader indicou que possuía um nível adequado de experiência competitiva e o convite foi concedido com base nas informações fornecidas”.
Por fim, a Tennis Kenya destacou a preocupação com o impacto humano da situação. “Trata-se de uma jovem tenista e, dada a extensão e a natureza da cobertura desta partida, a Tennis Kenya e a ITF reconhecem a necessidade de priorizar o bem-estar de ambas as jogadoras. Ambas as organizações entraram em contato com as duas jogadoras para oferecer apoio”.
O caso reacende o debate sobre os critérios de wild cards em torneios profissionais e a responsabilidade das entidades organizadoras em preservar o equilíbrio competitivo e a integridade esportiva, sem perder de vista o cuidado com os atletas envolvidos.

